Em 2004 fiz campanha para eleger uma candidata em quem eu realmente acreditava: Luizianne Lins. Uma mulher, professora, que encabeçou vários movimentos estudantis e pela classe dos professores. Acreditei sim, na melhoria da educação do meu município e da minha categoria. 7 anos depois, como professora concursada da Prefeitura, me sinto traída. Traída porque a atual gestão da prefeitura, a mesma para quem fiz passeata, carreata, campanha… Não quer cumprir a LEI e pagar o piso salarial dos professores. Vou reproduzir algumas considerações que já coloquei, inclusive no twitter, pra quem ainda não viu ou ainda não tem noção da imensidão dessa ação dos professores.
Ontem, ouvi a propaganda da prefeitura sobre a greve e chorei. Chorei de raiva e de vergonha dessa gestão mentirosa.
1. A greve já dura quase dois meses pq a prefeita se RECUSOU a negociar.
2. O salário chega a quase 1900 (1600 se considerar os descontos) com as gratificações, estamos lutando pelo piso no salário base, que é a Lei. Aliás, não estamos pedindo nada fora da lei. Queremos a implementação do piso e de 1/3 da carga horária fora de sala de aula (que também está na LEI).
3. Colocou os professores como vilões, mas somos nós que convivemos com os alunos e sua realidade. Falou-se até que as crianças estão passando fome. Olha, escola não é lanchonete! A merenda é um plus, e se a preocupação é essa, quero deixar claro que as merendeiras são terceirizadas, elas não estão em greve e as diretoras estão na escola. Se quer alimentar os alunos, abram as portas das escolas e sirvam a merenda!
4. Chamou a greve de ataque político! Ainda quer sair de vítima, quando está claro a sua incompetência. E é um ataque político sim, mas nosso! Um ataque contra essa gestão incoerente, incompetente e abusiva.
Eu também estou preocupada com os alunos, quem me segue há um certo tempo sabe que amo ensinar e sou apaixonada pelos meus alunos… Mas como posso incentivá-los a lutar por seus direitos se não fizesse o mesmo? Como oferecer qualidade se não temos tempo nem pra planejar? É como já foi dito, a educação só teria melhora se todo político fosse obrigado a por seu filho na escola pública.
Afinal, quanto você acha que a Dona Luizianne Joaninha paga pela escola do seu filho?
Ao invés de negociar, nossa querida prefeitura continua com ameaças. Ameaçou tirar nosso 13º (o que ela fez de uma maneira irregular contemplando professores grevistas e prejudicando professores que não aderiram a greve – legal, né?) e agora alega ilegalidade da greve ameaçando com multas e demissão quem não voltar pra sala de aula. Sem contar na agressão aos professores com bombas de efeito moral e spray de pimenta! Absurdo.
Tudo isso só ajudou ao movimento, nos uniu ainda mais. A quantidade de professores na Desembargador Moreira foi a maior de todas as assembléias anteriores!
Estarei na luta até o fim, só voltarei a sala de aula obrigada pela confirmação (que ainda não tivemos oficialmente) da ilegalidade da greve. Mas voltarei mudada e com um sentimento de tristeza e vergonha. Como vou olhar pra cara dos meus alunos, a quem prejudiquei por nada?
Abaixo estão os traidores da educação, nosso dever é conscientizar a todos para não votarmos neles de novo:
Nossa greve continua! Professor na rua, Luizianne a culpa é sua!





