Ano passado a Universidade Federal do Ceará, que já foi conhecida como umas das faculdades com o vestibular mais difícil do país, resolveu adotar o ENEM como seu único método de ingresso. Essa decisão pegou de surpresa todas as escolas de ensino médio da cidade que tiveram que mudar seu método de ensino em função do vestibular.
A proposta do ENEM é válida, mas ela é suficiente a ponto de ser a única ferramenta para o ingresso em uma Universidade? Acredito que não, ou, pelo menos, ainda não.
A prova do ENEM avalia o aluno em quatro áreas do conhecimento (Ciências da Natureza, Linguagens e Códigos, Matemática e Ciências Humanas) com questões que abordam assuntos do cotidiano. É o tipo de avaliação que cobra o que o aluno deve levar para vida; as questões são bem elaboradas e dependem muito da interpretação para serem resolvidas. Até aí tudo bem, mas gostaria de expor duas questões. A primeira: Os alunos estão sendo preparados pra isso?
Já sabemos que durante todo o ensino médio, principalmente nas escolas particulares, os alunos são preparados, quase que exclusivamente, para o vestibular. No 3º ano, então só se fala nisso, apostilas e mais apostilas são (eram) recheadas com questões similares as adotadas na UFC. O que fazer quando muda o vestibular? Muda-se a maneira de ensinar. E esse é o ponto positivo do ENEM, hoje, mais do que nunca, as escolas estão ensinando a pensar e não apenas a decorar fórmulas. Mas aí vem outro problema, a questão 2!
Professores universitários, meus amigos, dos cursos de agronomia, engenharia, física e matemática, estão todos reclamando do mesmo problema: A primeira turma aprovada pelo ENEM está mostrando deficiência em conhecimentos “básicos” de matemática, como: operação com números inteiros, produtos notáveis, matrizes… Conhecimentos necessários para algumas cadeiras desses cursos e que não são cobrados da mesma forma pelo ENEM.
A culpa é do ENEM? Acredito que não. Esses conhecimentos devem ser adquiridos bem antes do vestibular, inclusive. O que quero dizer é que as escolas continuam preparando o aluno para realizar a prova de admissão, sem se preocupar com o real aprendizado.
O vestibular muda, o método de ensino muda, mas o ensino superior continua o mesmo. E aí? O que fazer? Na minha opinão a avaliação do ENEM é importante, mas deve ser feita em conjunto com outros conhecimentos.
Até mesmo o criador do ENEM, Paulo Renato Souza admite que o mesmo não foi criado para ser a única ferramenta no ingresso em uma Universidade. Segundo ele, o ideal é que “a universidade faça a avaliação do aluno em função de vários indicadores, incluindo a nota do Enem”.
É óbvio que o sistema de ensino deve estar em mudança constante, mas deve ser muito bem pensado para garantir uma educação de qualidade.




