
O efeito ENEM
outubro 14, 2011Ano passado a Universidade Federal do Ceará, que já foi conhecida como umas das faculdades com o vestibular mais difícil do país, resolveu adotar o ENEM como seu único método de ingresso. Essa decisão pegou de surpresa todas as escolas de ensino médio da cidade que tiveram que mudar seu método de ensino em função do vestibular.
A proposta do ENEM é válida, mas ela é suficiente a ponto de ser a única ferramenta para o ingresso em uma Universidade? Acredito que não, ou, pelo menos, ainda não.
A prova do ENEM avalia o aluno em quatro áreas do conhecimento (Ciências da Natureza, Linguagens e Códigos, Matemática e Ciências Humanas) com questões que abordam assuntos do cotidiano. É o tipo de avaliação que cobra o que o aluno deve levar para vida; as questões são bem elaboradas e dependem muito da interpretação para serem resolvidas. Até aí tudo bem, mas gostaria de expor duas questões. A primeira: Os alunos estão sendo preparados pra isso?
Já sabemos que durante todo o ensino médio, principalmente nas escolas particulares, os alunos são preparados, quase que exclusivamente, para o vestibular. No 3º ano, então só se fala nisso, apostilas e mais apostilas são (eram) recheadas com questões similares as adotadas na UFC. O que fazer quando muda o vestibular? Muda-se a maneira de ensinar. E esse é o ponto positivo do ENEM, hoje, mais do que nunca, as escolas estão ensinando a pensar e não apenas a decorar fórmulas. Mas aí vem outro problema, a questão 2!
Professores universitários, meus amigos, dos cursos de agronomia, engenharia, física e matemática, estão todos reclamando do mesmo problema: A primeira turma aprovada pelo ENEM está mostrando deficiência em conhecimentos “básicos” de matemática, como: operação com números inteiros, produtos notáveis, matrizes… Conhecimentos necessários para algumas cadeiras desses cursos e que não são cobrados da mesma forma pelo ENEM.
A culpa é do ENEM? Acredito que não. Esses conhecimentos devem ser adquiridos bem antes do vestibular, inclusive. O que quero dizer é que as escolas continuam preparando o aluno para realizar a prova de admissão, sem se preocupar com o real aprendizado.
O vestibular muda, o método de ensino muda, mas o ensino superior continua o mesmo. E aí? O que fazer? Na minha opinão a avaliação do ENEM é importante, mas deve ser feita em conjunto com outros conhecimentos.
Até mesmo o criador do ENEM, Paulo Renato Souza admite que o mesmo não foi criado para ser a única ferramenta no ingresso em uma Universidade. Segundo ele, o ideal é que “a universidade faça a avaliação do aluno em função de vários indicadores, incluindo a nota do Enem”.
É óbvio que o sistema de ensino deve estar em mudança constante, mas deve ser muito bem pensado para garantir uma educação de qualidade.




Um texto bastante ponderado e de uma agudeza ímpar.
Parabéns, preta
Concordo! =)
Obrigada Feio e Bruce! =***
Há mais entre o céu e a terra que julga nossa vã filosofia!
Isso não vai continuar. ….Existe um apelo forte e tambem a UFC está considerando há bastante tempo voltar com a segunda fase….Acredito de depois do ENEM desse ano eles devem fazer o anúncio oficial para o vestibular 2013.
Espero mesmo, Daniel. A segunda fase era a peneira, precisa voltar.
Adorei o texto… e espero mesmo que a segunda fase volte, porque só com o ENEM não dá para avaliar o aluno…
=*
Bom, a intensão do Enem é cobrar coisas do cotidiano e questões ‘contextualizadas’, mas não é bem assim que acontece. Não são só essas questões ‘bobinhas’ que a prova traz, a prova cobra conhecimentos de química, biologia, física, historia (diga-se de passagem, a historia do Enem é decoreba), geografia e principalmente matemática. Além do que é complicado fazer uma prova com 45 questões contexto(alizadas) de matemática com mais 45 questões contexto(alizadas) de português e ainda uma redação que não é mais só dissertar um texto, vc tem que argumentar e apresentar propostas inovadoras sobre o tema. Não é só expor informações. Tudo isso em 5h30min de prova. Como se não bastasse no dia seguinte você tem mais 90 questões pra fazer de outras matérias. A matemática não é cobrada como antigamente pela UFC, na prova tradicional, mas ainda é uma das provas mais temidas pelos alunos no Enem. O português é uma das únicas matérias que mudou quase 100% no Enem. Antes estudávamos gramática, hoje, conto nos dedos de uma mão as aulas de gramática que eu tive durante o ano. As aulas de português se resumem a história da arte, historia da musica brasileira, historia do cinema brasileiro, literatura, analisamos musicas, pinturas e tendencias de cada época, e claro, aula de redação. Vale mencionar também que os colégios ainda não entenderam muito bem como o novo Enem funciona. Não mudaram totalmente a maneira de ensinar, até porque depois de muitos anos praticando uma técnica de ensino, mudar de uma hora pra outra não é fácil. O que eu não acho certo no novo Enem, que talvez se encaixe nessa porcentagem de pessoas que entram sem saber a base, são as pessoas que entram nas universidades através de cotas. Acho que as cotas foram criadas como uma estratégia de ‘válvula de escape’ pelo governo. Eles mesmos sabem que a educação pública não é o suficiente para esses alunos entrarem nas universidades e por isso criaram as cotas. A cotas não são só uma quantidade de vagas reservadas para os alunos que estudaram em escola pública. Elas possuem um mecanismo diferente de contagem de pontos que privilegiam esses alunos. Digamos que um aluno de escola publica fez 10 questões e o de escola particular fez 20, no sistema de cotas, o aluno de escola publica fez mais pontos que o aluno de escola particular que fez 20. Entendo esse sistema pois acredito que os estudantes de escolas publicas aprendem 1/3 do que os estudantes de escolas particulares, não só pelos professores, mas pelas próprias condições físicas e psicológicas desses alunos. Como se não bastasse as cotas, pontuações privilegiadas, ainda existem as bolsas do Prouni. O que mais me indigna em tudo isso, são os alunos que estudaram a vida inteira em escolas particulares e nos últimos 3 anos estudam em escolas públicas também em outros horários só para conseguir o Prouni. Eu vejo isso acontecer, não são histórias que me contaram, eu vi.
A que ponto chegamos hein? segundo expediente em escola pública para pegar bolsas. lamentável. Mas me corrija se eu estiver errado, o prouni não é só para universidades privadas? Do jeito que comentaste parece que fizeram isso pra entrar numa federal..
E sou totalmente contra cotas, principalmente cotas raciais.
Eita, a Ju tocou num ponto forte, as cotas. Tudo isso deveria ser repensado. =/
O problema Lu é que universidade virou artigo de luxo, enquanto houver essa disputa por vagas nas públicas, sempre haverá esse mercado nas escolas particulares. Creio que não importa o método de avaliação, as escolas sempre vão dar um jeitinho para ser a número 1 no vestibular. Esse mercado gera muita grana, conseguir conciliar qualidade de ensino pra vida, com os requisitos para entrar numa faculdade é algo bem complicado.
Não acredito que volte a segunda fase, pois há um jogo político nisso tudo. Se a UFC tivesse essa intensão não teria aberto as vagas para o Brasil todo e teria feito um processo de seleção dela como muitas universidades estão fazendo. Para concorrer as vagas da UFC basta você ter se inscrito para o Enem, só isso. Diferente de muitas outras boas faculdades, que fora a inscrição do enem, fez a sua própria inscrição na faculdade independente de ter ou não a segunda fase.