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“Há males que vem para o bem”

outubro 28, 2011

Essa eu tinha que compartilhar… Todo mundo deve saber que dou aula em escola pública e a realidade meus amigos, é mais dura do que a gente pensa. Vez por outra (aliás, quase sempre) me deparo com histórias que me emocionam e essa é uma delas.

Em uma das escolas que trabalho dou aula para dois irmãos. Ano passado os dois eram super problemáticos. O mais velho totalmente agressivo, não ligava para os estudos e só ia pra aula no intuito de ser excluído de sala. Eu só deixei de ter problemas com ele quando o ajudei a resolver um exercício, sentada ao seu lado e ele acabou mudando sua postura comigo. O mais novo era o que nós, cearenses, chamamos de “danado”. Se espelhava no irmão mais velho, achando tudo o que ele fazia de indisciplinar lindo!

O mais velho se envolveu com drogas e foi preso. Acabou sendo solto e eventualmente trocou a escola pelos pontos de droga próximos a ela.

Esse ano, o mais novo mudou. De uma hora pra outra ele passou a ser um aluno exemplar. Claro, continua brincando como todo menino da sua idade, mas sua postura é outra. Começou a fazer todas as tarefas, tira suas dúvidas, sempre me pergunta no que pode melhorar, se estou notando sua melhoria. E eu, claro, sempre elogiando.

Semana passada, quando ele foi escolhido líder de sala, falei do seu progresso e o parabenizei diante da turma. No final da aula ele chegou pra mim e disse: “Tia, meu irmão era meu herói. Hoje vejo minha mãe chorar e dizer que ele foi a maior decepção dela. Eu não quero mais ser como ele.”

Nem preciso dizer que quase chorei, né? Mas, o importante é que ele transformou o que aconteceu com o irmão em algo positivo pra ele e isso me deixou muito feliz. Pode parecer clichê, mas situações assim “pagam” nosso trabalho.

Em tempo: Ontem fiquei sabendo que o irmão mais velho arrumou um emprego e está deixando as drogas. Pode ser o primeiro passo para uma nova vida.

Ps. Achei melhor preservar os nomes dos meninos. ;)

2 comentários

  1. Poxa, Luiza, é o tipo de situação que ocorre tantas vezes e só estando próxima mesmo pra entender que atitudes simples como a sua (com relação a atividade em sala) mudam a cabeça de quem tem pouca perspectiva de vida. Parabéns por ter sido contemplada com essa boa mudança!
    Na minha escola atual ainda não me deparei com uma situação emocional intensa, mas na escola profissional que dei aula eram várias! Um aluno sempre chamava atenção em sala, parecia muito carente e sentia falta dos amigos. Um dia nos prontificamos a ir assistir uma peça em que ele atuava lá no Teatro Marista e a partir daí ele se sentiu muito acolhido melhorando seu comportamento em sala. Sempre lembro dele com muito carinho!
    Que essas histórias continuem compensando o nosso trabalho!
    Grande abraço!


    • Obrigada Aninha, o que eu comecei a perceber é que nossos alunos são mais carentes de carinho do que qualquer outra coisa. Beijo.



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